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APARIÇÃO

dmalheiros — 20-03-2010 GTM -3 @ 11:27

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Pessoal, vou colocar aqui um texto-exercício do mês passado, que fiz para a "Oficina de escrita criativa" com a Marcia Tiburi. Tinhamos que criar um personagem, descreve-lo em detalhes e depois matá-lo sem piedade. Tudo isso em apenas 2000 toques! Vejam se gostam...;-) Bjs

EXERCÍCIO 02

POR : DEBORAH MALHEIROS DE MELLO

Surgiu de súbito, esboçando um largo sorriso naquela manhã enevoada. Embaixo do braço alguns tubos e papéis enrolados, muitos lápis cuidadosamente apontados, todos amparados por mãos fortes de veias bem definidas que desenhavam sob a pele uma espécie de mapa. Talvez o raro e especial mapa da cara metade.
Arquiteto, beirando a casa dos quarenta. Linhas finas e traços fortes demarcavam-lhe o rosto, ar de homem com sopro de menino. Alto, abraço de dois metros, olhos embrasados, brilhantes cor de amêndoa, granada-esfumaçados, fartos cabelos castanhos, sempre despenteados e na boca um arco de cúpido de refinado desenho. Completando esse encanto, mistura de amuleto, sorte e coragem possuía ainda três pintas no pescoço que lhe garantiam o charme. Charme tão grande que não conseguiria descrever em apenas dois mil toques.
Fomos para casa e como tinha pressa em trocar-me, deixei-o na sala, entre sofá e livros. Se não fosse a pressa o teria levado comigo ao quarto; Pois quando voltei, ele estava morto. Estava ali, ou melhor, não estava mais. Tudo parecia desfocado, custei a entender aquela cena. Foi morto sadicamente, teve o rosto desfigurado e os membros totalmente mutilados, não sobrara nada... O assassino poderia ter sido menos cruel e apenas apertado um gatilho, mas não. Resolveu riscar-lhe o rosto por completo e cortar-lhe o corpo. Não usou estilete, navalha, faca, facão ou serrote como poderíamos supor; Usou um singelo objeto, que ainda estava no local do crime, e apagou-o de vez da minha vida. Foi morto sem pressa, a macios golpes de borracha, isso mesmo, a borrachadas! Dessas verdinhas sem graça que se usa na escola. Esfregaram-lhe o rosto e o resto do corpo com tanta força que nada sobrou, a não ser um monte de farelos de borracha e grafite que ficaram espalhados pelo chão da sala. Para mim, entre lágrimas, carne e sentidos moídos de um herói.
E o assassino? Ah, esse idiota! Acredita que ainda deixou um bilhete que dizia assim:
“Antes de sair apague a
luz!
p.s: Como não tinha papel sobrando, então usei esse mesmo.
Beijos, Mamãe ”.
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O AR ENTRE OS LÁBIOS

dmalheiros — 28-02-2010 GTM -3 @ 16:13

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Quem já beijou esse ar que fica entre os lábios? E o ar entre um coração machucado?

Uma coisa que aprendi...
Para se beijar o corpo, precisa-se beijar a alma. E ela precisa estar pulsando, ser o agora, o invisível inteiro,o avesso do corpo que ainda abriga vida.

A CURA

Junte primeiro, a dor.
Depois, coragem e certeza.
Abra bem a ferida, o máximo que conseguir,
E despeje tudo lentamente.
Deixe aberto ao relento,
O tempo trará a cura.

Deborah

BEIJOS;-)

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NATUREZA

dmalheiros — 31-01-2010 GTM -3 @ 13:46

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Último dia do primeiro mês do ano. Quais surpresas nos aguardam? Será que nos é permitido fazer pedidos ao vento? Será que os telex ficam gravados nas nuvens e caem em forma de chuva? Como essa chuva toda dos últimos dias? Em todo caso, farei minha lista de pedidos.....

PARA O VENTO

Pára o vento,
Escuta...
Se puder, antes de tragar-me
Traga-me
O que de mais belo encontrar:

Traga-me uma pedra bonita de montanha,
Traga-me o espírito puro,
A aura, incensos e cristais
Traga-me o brilho
E a luz da estrela cadente.

Traga-me as esquinas, duendes
O pôr-do-sol,
O vale das borboletas,
A lua e
Uma poção mágica.

Traga-me flores do campo,
Chá de alecrim e
O recado de coração.
Traga-me as historias não contadas,
Um bilhete cifrado,
Traga-me um sinal
De linha ou de sonho.

Mande-me a brisa leve,
As pirâmides e todos os deuses,
Mande-me uma fotografia
3X4 da alma, para que eu guarde na carteira,
Mande-me, enfim, a procura...

E, se possível for,
Quando as nuvens estiverem carregadas,
Mande-me a chuva
Porque se nada trouxer,
Resta-me a garantia
De coração fértil e
A alma lavada!

( Deborah )

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NOSTALGIA DE FIM DE ANO

dmalheiros — 27-12-2009 GTM -3 @ 13:31

ioio

Um texto para os que sentem, como eu sinto, o passar deste último mês do ano. Bjs

NOSTALGIA DE FIM DE ANO

O que realmente nos envelhece com o passar dos anos é a memória que se acumula dentro da gente, à proporção que os anos passam. E são tantas, tantas, que por mais longa que seja a vida, nunca ultrapassa aos anos de lembranças, memórias, saudades que vamos juntando dentro de nós... A indústria já não sabendo mais o que inventar para a sobrevivência do interesse público, faz ressurgir brinquedos e jogos do passado - principalmente nesta espoca de Natal - e chamam isso de nostalgia. E nós que não nos damos conta de como somos antigos no tempo, vamos recordando uma época que conhecemos de perto, participamos e fizemos parte daquele cenário. Como os velhos cortes de cabelo, as cores das meias, as musicas da época. Mas o teste máximo de que o tempo esta passando, é o nosso crescente desamor pelo ruído, desejosos de paz, da penumbra, porque apenas na memória vive essa coisa terrivelmente bela e irreversível que tem o nome de juventude.
Podem os cirurgiões plásticos repuxar a pele do nosso rosto, podem os recursos de hoje prolongar por um tempo a aparência de uma falsa mocidade.
Não acreditem na falsa euforia dos velhotes e velhotas que procuram, dando de ganhar a quem lhe dão, por um tempo, uma ambígua noção de mocidade, sim, porque eles não podem recuperá-las dentro de si mesmos. O melhor mesmo é, com nostalgia e tudo mantermos uma cara serena e pura ,na altiva dignidade dos que aceitam o tempo como a um amigo que nos tira uma coisa mas nos dá outra . Porque, pouco adianta nos olharmos no espelho e termos a impressão de que os anos não passaram por nós. Para isso, seria preciso que não houvesse a memória, acumulando tudo, guardando tudo, dia por dia, hora por hora, minuto por minuto. É por isso que a sensação de nostalgia nos toma, quando vemos que tudo esta voltando... a moda, os jogos, os brinquedos, as músicas, o cenário que encantou nossa infância e que somente ela, em sua plenitude interior e exterior, não poderá voltar, jamais!!! Viva a memória e a vida! - Um brinde à elas - e a nós!!!;-_

( DEBORAH )

FELIZ ANO-NOVO!!! Beijos!!!

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PARTIDA

dmalheiros — 14-11-2009 GTM -3 @ 15:52

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NOVEMBRO! Mês de finados.
Não o considero um mês triste, nem tão pouco alegre. É um mês que para mim soa melancólico. Lembro das finitudes, me faz voar mais baixo, não é nada agravél a sensação de perda, nos sobra aceitar e ponto final. A passagem não aceita argumentos, negociata, choro e nem vela. Pronto. Foi decretado e fim. Simples assim. Cru, sem sal e indigesto.

Um poema, que fiz há uns 02 meses, e que o título achei melhor desmembra-lo. Não o considero triste, mas real. Vejam se sentem assim...Bjs;-)

PARTE IDA

Dolorido, foi olhar pela última vez
Através das lágrimas,
E perceber o opaco do olho
Que antes tinha brilho.
Dolorido, foi jogar as imagens no arquivo
E em legítima defesa
Apagar as cores,
Congelar o filme e
Distorcer de propósito
A fotografia que antes tinha luz.
Difícil foi separar o momento,
Separar os gestos do corpo e
Depois esvazia-lo de significado.
Difícil mesmo foi apagar o script
Apagar as falas
E te olhar novamente
Deixando corpo
Braços, sensações
Pernas e coração.
E saber que um abraço
Agora, só com a passagem na mão
qd desembarcar na próxima 'encarnação'...

(Deborah )

ORQUESTRA

dmalheiros — 31-10-2009 GTM -3 @ 11:21

Ainda não tive tempo de escrever algo para esse mês, mas logo o farei.Então coloco novamente este, que mandei para o concurso do Banco do Brasil. Quem não o conhecia, aí esta...ouçam! Bjs;-)

"Meu concerto que desconserta"

Sinto seu corpo como uma orquestra
A ensaiar uma sinfonia completa e arrebatadora.
Você sussurra em meu ouvido aquela música silenciosa.

Sinto seus braços e pernas, como cordas bem afinadas
Que desejam dedos hábeis
Que lhe tirem melodias.
Sua respiração é como um instrumento de sofro
Querendo mais fôlego, para sons mais altos,
Inaudíveis. - Sentidos.

E a percussão dentro do peito
Marca o ritmo da música que existe na mente,
Sons, compassos, andamentos,
Pausas, variações, êxtases...

Acaricio sua face, beijo seu queixo, rimos.
E na rima da pele
Que lhe envolve o corpo,

O detalhe da partitura

Que tento lê-la no toque,
nas pontas do arrepio.

Decifro-te...
Devora-me.
Agora descobri a verdadeira poesia.
;-)
( Deborah )

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SURPRESAS

dmalheiros — 27-09-2009 GTM -3 @ 23:40

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Lembranças de infância, idéias, sonhos, realizações... Será que já está tudo traçado na palma de nossas mãos? Esse poema é para a minha infância, para as sementes de mim.
Mas também, sementes de todos que cavam e resistem acreditando que a terra é fértil...;-)Bjs

SURPRESA

Certezas, destinos, traçados...
O que é tudo isso afinal?
Longe de mim ser previsível,
Ser enquadrável ou tributável.
Onde mora a beleza,
Sem o doce encanto da surpresa?

Longe de mim ser uma,
Ser única.
Sou várias,
Sou muitas.

Cavei meu destino e lá
Não havia terra, só lama
No mangue do mangueirão

Mas quantos fragmentos me fizeram?
Quantos pedaços me foi dado ser?
Quantas vezes não pendurei meus sonhos nos cabides?
Vejo fotografias antigas,
Me jogo na vertigem,
Seguro meu corpo,
E me salvo das imagens.

Busco a surpresa nas incertezas
Onde more, talvez, a beleza.
Mas e o doce encanto da surpresa?
Onde fica?

Talvez lá no início do mundo,
Na Rua Major Eugênio Terral,
136 Fundos! ;-)

( Deborah )

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CORAGEM

dmalheiros — 31-08-2009 GTM -3 @ 17:17

Unidos

Perceberam que o que mais sobra hoje em dia é a falta? Falta de caráter, falta de respeito, falta de vergonha, falta de memória, falta de exemplos, falta de atenção, de compaixão, de cuidados... enfim, tantos que canso em enumera-los. Essa poesia fiz pensando nas distorções de valores, em como podemos sobreviver a toda essa loucura, será que existe salvação?;-) Bjs
Aí vai...

CORAGEM

O que mais podemos fazer nesse mundo em chamas?
Senão buscar a paz das coisas simples, a calma do sublime
E a beleza que nos escapa pelo vão da porta?
O que mais podemos fazer?
Senão encostar a cabeça
No travesseiro do tempo
E aguardar que a chegada do apocalipse
Recoloque tudo em seus lugares
As águas, as matas,
O horizonte incerto que nos habita,
O ponto no mapa,
A ponte, o contato.
O que mais podemos fazer em meio a esse incêndio?
Senão libertar pesadelos, tecer sonhos, e manter a força?
Porque por mais que o futuro seja incerto
E o nosso discurso um dicionário de frases soltas
A nossa coragem sobrevive,
Para que a esperança
Não seja mais que uma mobília velha,
Um retrato,
O quadro na parede,
Ou uma foto esquecida
Em alguma gaveta da memória.

( Deborah )

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POEIRA

dmalheiros — 30-07-2009 GTM -3 @ 01:01

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Quando rodo por aí, por lugares alegres e outros bem tristes, aproveito para juntar alguns pensamentos e transforma-los em alguma coisa. E essa coisa, é isso aí...
Uma observação do que é invisível!
Vejam se vocês enxergam...;-)

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Pegue o carro, dê uma volta
Sinta o cheiro da cidade no ar...
Lixo humano à margem da avenida fantasma
É um filho que nos espera em cada sinal luminoso
Tem olhos grandes e acesos como sóis,
E o rosto ressecado de poeira e cola.
Estamos cegos, não enxergamos nosso filho a chegar
Ele floresce nos terrenos baldios,
Semente de aborto roto
Desce morro feito enxurrada,
Arrasta-se ladeira abaixo,
Lavando a cidade com a lama do mangue.
Ele espera, coberto de sangue!
Da sua garganta uma orquestra de gritos
Anunciando o fim das trevas.
Seria a elevação dos órfãos ao colo de Deus?
Quem sabe ele pedirá abrigo no cortiço?
Roubará para mendigos um pedaço da lua?
Ou dirá palavras cheias aos vazios sem espírito?
São semente de dor
De não poder ter nascido.
Natimorto com boa saúde,
“Empoeirado” e cheio de cola...

( Deborah)

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ZELAR

dmalheiros — 28-06-2009 GTM -3 @ 22:06

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Um poema que como muitos de nós...diz por si, Só!
Espero que gostem, estava perdido em minhas anotações, fiz há poucos meses, é de Abril de 2009, achei interessante dividi-lo. Beijos ;-) e Zelai!!!

Amados, amantes, amadas, cuidai!
Que o amor se vestiu o luto
Perdeu-se pelos labirintos
E estes são tempos
De raro afeto
E carinhos escassos
Amados, amadas, amantes, olhai!
Que o amor murcha e mingua
E estes são tempos de solidão explícita
Gosto de sal.
Amantes, amados,amadas, Zelai!
Porque o amor resiste
Por um fio frágil, ensaia passos bêbados
Na lâmina cega das navalhas.
Amantes, amados, amadas, velai!
Porque o amor fez-se escuro
Tornou-se contrato
Entre partes em conflitos
Amados, amantes, amadas, Lutai!
Para que o amor sobreviva às nuances
Porque tudo que se vai
Fica um pouco em nós impregnado
Fica a parte que agarramos com os dentes
Fica o cheiro
Fica o que não se vai porque não deixamos
Fica a nossa sobrevivência
Num aceno de olhar.
Amantes, amados, amadas,
Há mais...!
( Deborah )
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