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PARTIDA

dmalheiros — 14-11-2009 GTM -3 @ 15:52

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NOVEMBRO! Mês de finados.
Não o considero um mês triste, nem tão pouco alegre. É um mês que para mim soa melancólico. Lembro das finitudes, me faz voar mais baixo, não é nada agravél a sensação de perda, nos sobra aceitar e ponto final. A passagem não aceita argumentos, negociata, choro e nem vela. Pronto. Foi decretado e fim. Simples assim. Cru, sem sal e indigesto.

Um poema, que fiz há uns 02 meses, e que o título achei melhor desmembra-lo. Não o considero triste, mas real. Vejam se sentem assim...Bjs;-)

PARTE IDA

Dolorido, foi olhar pela última vez
Através das lágrimas,
E perceber o opaco do olho
Que antes tinha brilho.
Dolorido, foi jogar as imagens no arquivo
E em legítima defesa
Apagar as cores,
Congelar o filme e
Distorcer de propósito
A fotografia que antes tinha luz.
Difícil foi separar o momento,
Separar os gestos do corpo e
Depois esvazia-lo de significado.
Difícil mesmo foi apagar o script
Apagar as falas
E te olhar novamente
Deixando corpo
Braços, sensações
Pernas e coração.
E saber que um abraço
Agora, só numa próxima 'estação'...

(Deborah )

ORQUESTRA

dmalheiros — 31-10-2009 GTM -3 @ 11:21

Ainda não tive tempo de escrever algo para esse mês, mas logo o farei.Então coloco novamente este, que mandei para o concurso do Banco do Brasil. Quem não o conhecia, aí esta...ouçam! Bjs;-)

"Meu concerto que desconserta"

Sinto seu corpo como uma orquestra
A ensaiar uma sinfonia completa e arrebatadora.
Você sussurra em meu ouvido aquela música silenciosa.

Sinto seus braços e pernas, como cordas bem afinadas
Que desejam dedos hábeis
Que lhe tirem melodias.
Sua respiração é como um instrumento de sofro
Querendo mais fôlego, para sons mais altos,
Inaudíveis. - Sentidos.

E a percussão dentro do peito
Marca o ritmo da música que existe na mente,
Sons, compassos, andamentos,
Pausas, variações, êxtases...

Acaricio sua face, beijo seu queixo, rimos.
E na rima da pele
Que lhe envolve o corpo,

O detalhe da partitura

Que tento lê-la no toque,
nas pontas do arrepio.

Decifro-te...
Devora-me.
Agora descobri a verdadeira poesia.
;-)
( Deborah )

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SURPRESAS

dmalheiros — 27-09-2009 GTM -3 @ 23:40

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Lembranças de infância, idéias, sonhos, realizações... Será que já está tudo traçado na palma de nossas mãos? Esse poema é para a minha infância, para as sementes de mim.
Mas também, sementes de todos que cavam e resistem acreditando que a terra é fértil...;-)Bjs

SURPRESA

Certezas, destinos, traçados...
O que é tudo isso afinal?
Longe de mim ser previsível,
Ser enquadrável ou tributável.
Onde mora a beleza,
Sem o doce encanto da surpresa?

Longe de mim ser uma,
Ser única.
Sou várias,
Sou muitas.

Cavei meu destino e lá
Não havia terra, só lama
No mangue do mangueirão

Mas quantos fragmentos me fizeram?
Quantos pedaços me foi dado ser?
Quantas vezes não pendurei meus sonhos nos cabides?
Vejo fotografias antigas,
Me jogo na vertigem,
Seguro meu corpo,
E me salvo das imagens.

Busco a surpresa nas incertezas
Onde more, talvez, a beleza.
Mas e o doce encanto da surpresa?
Onde fica?

Talvez lá no início do mundo,
Na Rua Major Eugênio Terral,
136 Fundos! ;-)

( Deborah )

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CORAGEM

dmalheiros — 31-08-2009 GTM -3 @ 17:17

Unidos

Perceberam que o que mais sobra hoje em dia é a falta? Falta de caráter, falta de respeito, falta de vergonha, falta de memória, falta de exemplos, falta de atenção, de compaixão, de cuidados... enfim, tantos que canso em enumera-los. Essa poesia fiz pensando nas distorções de valores, em como podemos sobreviver a toda essa loucura, será que existe salvação?;-) Bjs
Aí vai...

CORAGEM

O que mais podemos fazer nesse mundo em chamas?
Senão buscar a paz das coisas simples, a calma do sublime
E a beleza que nos escapa pelo vão da porta?
O que mais podemos fazer?
Senão encostar a cabeça
No travesseiro do tempo
E aguardar que a chegada do apocalipse
Recoloque tudo em seus lugares
As águas, as matas,
O horizonte incerto que nos habita,
O ponto no mapa,
A ponte, o contato.
O que mais podemos fazer em meio a esse incêndio?
Senão libertar pesadelos, tecer sonhos, e manter a força?
Porque por mais que o futuro seja incerto
E o nosso discurso um dicionário de frases soltas
A nossa fé sobrevive,
Para que a esperança
Não seja mais que uma mobília velha,
Um retrato,
O quadro na parede,
Ou uma foto esquecida
Em alguma gaveta da memória.

( Deborah )

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POEIRA

dmalheiros — 30-07-2009 GTM -3 @ 01:01

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Quando rodo por aí, por lugares alegres e outros bem tristes, aproveito para juntar alguns pensamentos e transforma-los em alguma coisa. E essa coisa, é isso aí...
Uma observação do que é invisível!
Vejam se vocês enxergam...;-)

INCOLOR

Pegue o carro, dê uma volta
Sinta o cheiro da cidade no ar...
Lixo humano à margem da avenida fantasma
É um filho que nos espera em cada sinal luminoso
Tem olhos grandes e acesos como sóis,
E o rosto ressecado de poeira e cola.
Estamos cegos, não enxergamos nosso filho a chegar
Ele floresce nos terrenos baldios,
Semente de aborto roto
Desce morro feito enxurrada,
Arrasta-se ladeira abaixo,
Lavando a cidade com a lama do mangue.
Ele espera, coberto de sangue!
Da sua garganta uma orquestra de gritos
Anunciando o fim das trevas.
Seria a elevação dos órfãos ao colo de Deus?
Quem sabe ele pedirá abrigo no cortiço?
Roubará para mendigos um pedaço da lua?
Ou dirá palavras cheias aos vazios sem espírito?
São semente de dor
De não poder ter nascido.
Natimorto com boa saúde,
“Empoeirado” e cheio de cola...

( Deborah)

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ZELAR

dmalheiros — 28-06-2009 GTM -3 @ 22:06

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Um poema que como muitos de nós...diz por si, Só!
Espero que gostem, estava perdido em minhas anotações, fiz há poucos meses, é de Abril de 2009, achei interessante dividi-lo. Beijos ;-) e Zelai!!!

Amados, amantes, amadas, cuidai!
Que o amor se vestiu o luto
Perdeu-se pelos labirintos
E estes são tempos
De raro afeto
E carinhos escassos
Amados, amadas, amantes, olhai!
Que o amor murcha e mingua
E estes são tempos de solidão explícita
Gosto de sal.
Amantes, amados,amadas, Zelai!
Porque o amor resiste
Por um fio frágil, ensaia passos bêbados
Na lâmina cega das navalhas.
Amantes, amados, amadas, velai!
Porque o amor fez-se escuro
Tornou-se contrato
Entre partes em conflitos
Amados, amantes, amadas, Lutai!
Para que o amor sobreviva às nuances
Porque tudo que se vai
Fica um pouco em nós impregnado
Fica a parte que agarramos com os dentes
Fica o cheiro
Fica o que não se vai porque não deixamos
Fica a nossa sobrevivência
Num aceno de olhar.
Amantes, amados, amadas,
Há mais...!
( Deborah )
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O TEMPO

dmalheiros — 07-06-2009 GTM -3 @ 19:01

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Pessoal, mais um conto!
Acabei de escrevê-lo e quis compartilha-lo com vocês!!!
Este leva à reflexão, leva a pensar na vida, nas metáforas da vida. Onde anda a humanidade? Onde está o humano? Será que sentido, gestos e sentimentos não passam de coisas inúteis que guardamos como quinquilharias no fundo de uma gaveta? Que a vida anda corrida, que os afazeres se multiplicam isso é constatação. Mas não consigo entender situações onde até um pedaço de pizza é capaz de mais sentimento e generosidade que muita gente. Mas continuo acreditando na humanidade, se é ilusão, não sei. Mas acredito. Assim como acredito em fantasmas!... :-)

“ O TEMPO ”

Na parede daquela casa agitada, o velho relógio afastou um pouco mais seus enormes ponteiros e arriscou uma olhada para a família reunida na sala. Falavam alto, num palavreado esquisito, onde ele não entendia muito bem, enquanto uma música infernal enchia o ambiente. Suspirou cansado, sentia-se inútil, ninguém precisava dele ali. Traziam nos pulsos uns minúsculos reloginhos, esquisitos e sem graça; feios e fracos. Ele era forte, bonito, fora construído na Suíça, peças de aço puro, tinha inúmeros rubis e feito de envelhecido carvalho. Chegara há muitos e muitos anos, vistoso, imponente, ocupava o canto principal da sala de visitas. Todos o olhavam constantemente, tinha números límpidos, ponteiros brilhantes, pendulo de bronze. Quando balançava para dar as horas, as crianças de casa ( hoje todos muito velhos ) corriam, e de nariz pra cima e olhos arregalados iam pra lá e pra cá, acompanhando-o entusiasmadas.
Ia recolher-se, cansado com aquele modo de viver alucinado da família, quando viu a jovenzinha de cabelos encaracolados e olhos brilhantes ( safra da nova geração) levantar-se. A esperança encheu-o por dentro: - Será que aqueles lindos olhos iriam mira-lo para ver as horas? Decepção!. Olhou apressada o grotesco relógio de plástico no pulso delicado e saiu sem notá-lo. Recolheu-se desiludido para dentro de seu maquinismo. Os bons tempos já se foram, tempos de música suave, de vida calma, tranqüila, sem pressa . Ninguém mais ligava para ele, a não ser a empregada para limpa-lo. Triste, pensou em parar, não queria mais dar as horas. Suspirou sufocado. Sufocado! Ele fazia tudo para não chamar a atenção; por anos e anos, marcava as horas exatas, soava sempre no mesmo tom, não atrasava, não adiantava. “ Talvez se...”- riu baixinho com a extravagante idéia que ocorrera em suas cordas. Talvez se descontrolasse, como um velho caduco, caduco como o velho Belmiro, o avô há vinte e tantos anos falecido...- riu, divertindo-se, arriscando mais vez uma olhada para a família que ainda discutiam ao redor da mesa. Jogou o pêndulo com força. Este, assustado, foi para lá e para cá, descontrolado, encheu a sala com um barulho estridente.
Fez-se silêncio repentino. A família assustada o olhou: - O que teria acontecido ao velho e superado relógio? Nada, certamente, com ele nunca acontecia nada. Voltaram a conversar, indiferente à angústia do velho relógio. Velho, objeto, coisa, mas sentimental.
Raivoso com aquela indiferença, deixou cair os ponteiros com força e tornou a jogar o pêndulo, que ressoou estridente.
A família, agora alarmada, levantou e o rodearam com mil conjecturas. Por fim depois de tanto falatório, dizendo horrores a seu respeito e deixando-o tonto, tiraram –lhe o pêndulo e decretaram: - Será vendido!.
No outro dia foi jogado num depósito junto com móveis velhos e depois de algumas semanas, levado a algum antiquário. Amargurado, e sem se importar com os colegas ali enfileirados, enroscou-se, emperrou todas as suas peças. Não mais funcionaria, negava-se a viver depois de tanta ingratidão. Deixou cair uma lágrima que correu entre os números amarelando um pouco mais o mostrador. Ninguém notou, a não ser os colegas que como ele, também tiveram o mesmo fim.

FIM
( DEBORAH )
Metáforas da vida. ( de todos );-)

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O DESENHO DAS IDÉIAS

dmalheiros — 16-05-2009 GTM -3 @ 16:59

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Esta semana passei observando o mundo que me cerca. Observando e elaborando idéias, tentando chegar a alguma conclusão de razoável assimilação.
Talvez seja a proximidade do meu aniversário e o ótimo texto que li de uma amiga em seu blog.
- Procurei saber onde estava meu coração.
E essa procura acredito que não possa ser compartilhada, vejo como uma espécie de telescópio que tendo apenas uma lente não cabe mais que um olho, e a mirar o interno para enteder o que reverbera em palavras e silêncios. Percebi um pouco mais o mistério das palavras, e com isso a inspiração para essa poesia.
Espero que GOSTEM e sigam na busca de tornarem-se legíveis. Sem tanto som, mas em letras grafadas na pele, na retina e no instante!. Beijos p´rocês!!!;-)

( O blog é o Pink Punk, da Marcia Tiburi. Para descrevê-lo, o que mais se aproxima, talvez seja, - Precioso. )

" A PALAVRA"

À frente da folha, o grafite aproxima-se para tocá-la.
Tenta com a palavra penetrar-lhe o mistério
Com o mesmo cuidado de uma cerimônia.
Tenta desenhar o sentido,
Tenta permear o inédito, arquitetar a idéia de tudo que existe.
Palavra é risco, é olho, é disco e abrigo
Não é mais som, é dom
de quem abriu na vida um grito
e tocou na ferida.
Destingiu o isto e o aquilo,
desatando tudo que acena para dentro.
Qualquer palavra é viagem
Sem rota, nem nota. Sem dono e no tom.
Resiste à tentação das imagens,
Fixa o desenho dos argumentos.
Contorno de linhagem pura
na cristalina possibilidade
de grafar o instante
de passar o que sente,
e vem a mente.
É lúdica e demente.
Mas vem certa de que o seu melhor desenho...
É a sua IDÉIA!!!
Sementes de palavras em terras férteis,
É de lá que nasce o mistério
É de lá,...

( Deborah )

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INTERNO.

dmalheiros — 15-04-2009 GTM -3 @ 09:58

Raizes

Pessoal, um texto-poesia, que fiz para autorreflexão. ( Não sei com essa nova gramática, se autorreflexão é mesmo assim que se escreve, tão pouco texto-poesia, verificarei.) Acredito que os sentimentos assim como as palavras, que estão em constante transformações, mantenham intactos seus eixos e raízes. Como uma espécie de raízes semânticas, imutáveis! Aí, vai...

INTERNO

Não burocratizem as almas.
Não transformem o amor,
Em que a medida é a ‘exata’ desmedida,
Não busquem o sexo pelo sexo, cheguem às almas.
Chegue ao absoluto, ao insolúvel, onde só pisa quem tem o dom.
Quem não tiver amor pra dar
Nunca me entenderá.
Quero a emoção identificável em cada poro
Quero tumulto.Veias pulsando.
Quem acha que amor é colírio,
Que se dá de gota em gota,
Que se entrega com cautela e recato,
Mantenha distância.
Nunca entenderá de mim...
Amor é tumulto.
De tranqüilidade externa e revolução interna
Está no beijo, na saliva da língua,
No toque dos corpos,
No ar e no hálito,
Nos gestos entregues sem amarras.
Sei que meu coração não se basta com pouco amor
Quer a vertigem
E a emoção do mundo num abraço.
;-)
Deborah

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FORTALE ( SER )

dmalheiros — 08-03-2009 GTM -3 @ 18:30

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Sinto-me construção inacabada, não por preguiça, ou descaso, mas por não querer limitar-me. Procuro a expansão...Escrevendo por exemplo. Somos feitos dos pedaços que achamos pelo caminho,
dos nossos próprios pedaços transformados em versos.

Coloquei mais um pedacinho neste estilhaço de poesia. Que meus 'pedaços' ocupem a construção de quem quer senti-los. ;-) Bjs

" CONSTRUÇÃO "

A alma é verso,
Inverso colagem - O corpo.
Mas corpo não se sustenta
Com alma rasa de quem não quer ir fundo
No oco vazio perdido do ser.
Versos, para encarar esse oco,
essa conversa, 'eu versus mim'.
Fácil buscar no outro a resposta - ou a culpa de tudo.
Coragem para encarar o oco que às vezes sufoca,
às vezes deprime, mas que nos faz maior.
É atitude para poucos, sei.
Mas é ela que nos redime, nos faz crescer e
nos torna GENTE!
E não apenas um ser que vive porque movimenta a
carcaça de um corpo que lhe foi dado, mas não construido.
A missão é a construção.
Alicerces do corpo em uma alma forte,
que endurece, mantendo a leveza
ou a força dos ventos.
Eis a missão!!!;-)

( Deborah )
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