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Arquivo: Janeiro 2009

NOVOS E VELHOS PRETEXTOS

dmalheiros 27/01/2009 @ 12:51

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Saindo um pouco da poesia, um texto que fiz de puro pretexto... Beijos

"Novos e velhos pretextos"

Imagino que não havia automóveis em Jerusalém, no tempo em que Jesus falava a seus discípulos. Nada de leis de trânsito, multas, pontos, bafômetro e CETs por toda parte.
No entanto, bebia-se um bom vinho. Mas ou o vinho era pouco ou os convidados muitos. O fato é que esvaziavam-se as ânforas.
A Maria, mãe de um Jesus anônimo, ao ver o mal provocado pela falta da bebida, disse ao filho – ‘Eles não tem mais vinhos’. Ele então mandou encher as talhas com água e a água virou vinho, para o espanto de todos.
Não tenho notícias de que a festa tenha acabado em bebedeira, pancadaria, polícia, apesar da fartura em vinho, garantida pelo primeiro prodígio explícito do homem de Nazaré.
Os tempos voam. E ainda existem festas e bodas, e as haverá até a chegada do Apocalipse. Mas quando vinhos se esgotam, não há jeito. Enchem-se garrafas com água e milagre algum acontece.
Os tempos são outros.
Mas imaginemos um Jesus insensato, resolvido a regressar e vistoriar o seu rebanho, com olhos humanos e humana condição.
Pensando aqui com meus botões, concluo que o Cristo não teria vez, nem voz, se retornasse ao mundo com a mesma obediência ao seu destino e aventura. Como naquele tempo, as testemunhas de seus prodígios tratariam de condená-lo a morte, pelo crime intolerável de ser inocente nos dias de hoje.
Mas imaginemos que ele viesse, e fosse a alguma festa e transformasse água em vinho, todos bebessem moderadamente, dançassem, cantassem e partissem para suas casas em seus automóveis.
No meio do caminho havia uma pedra..., ladrões de tocaia, medos noturnos, blitz e bafômetro.
Maria pediria para seu filho ir ‘as delegacias para realizar o milagre de convencer os doutores do templo de que é possível beber o vinho e comer o pão com moderação, sem a terrível embriaguez que mata e fere culpados e inocentes.
Quando penso e escrevo – Beber o vinho e comer o pão, vem-me a imagem da Última Ceia, e do simbolismo do cálice da nova aliança. Imagino se essas coisas acontecessem nos dias de hoje... Que conseqüências Jesus e seus apóstolos teriam de suportar, quando se retirassem após o fim do jantar?
Talvez os abstêmios absolutos condenassem os que bebem moderadamente, os hipócritas acusassem as videiras e as uvas. Os dotados de muita prudência recriminassem os que dirigem automóveis mesmo que sóbrios. Talvez os insanos punissem o próprio automóvel por seus motores alcoólicos, de ingestão etílica. Dou risada com meus botões...
Mas os iconoclastas, certamente, recrucificariam Jesus, por seu mau exemplo na cidade e na Última Ceia.
A maioria do rebanho acostumada a soluções autoritárias e radicais, provavelmente aprovasse a injustiça geral para justificar uma hipotética e patética justiça parcial.
Valeu a pena não existir automóveis na Galiléia? Mesmo sem esse pretexto, a cruz já estava armada e a espera. Pretextos nunca faltam para quem pensa que pode tudo.E o pior é que pode. Independente da época e ocasião,e enquanto o rebanho for o mesmo...Eles podem!( E em tempos de mudança ortográfica, eles PODEM, mas acho que com ph.- não consegui segurar o riso, desculpem.) Como disse, tudo vira pretexto. Infelizmente.
FIM

(Deborah)

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