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Arquivo: Junho 2009

ZELAR

dmalheiros 28/06/2009 @ 22:06

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Um poema que como muitos de nós...diz por si, Só!
Espero que gostem, estava perdido em minhas anotações, fiz há poucos meses, é de Abril de 2009, achei interessante dividi-lo. Beijos ;-) e Zelai!!!

Amados, amantes, amadas, cuidai!
Que o amor se vestiu o luto
Perdeu-se pelos labirintos
E estes são tempos
De raro afeto
E carinhos escassos
Amados, amadas, amantes, olhai!
Que o amor murcha e mingua
E estes são tempos de solidão explícita
Gosto de sal.
Amantes, amados,amadas, Zelai!
Porque o amor resiste
Por um fio frágil, ensaia passos bêbados
Na lâmina cega das navalhas.
Amantes, amados, amadas, velai!
Porque o amor fez-se escuro
Tornou-se contrato
Entre partes em conflitos
Amados, amantes, amadas, Lutai!
Para que o amor sobreviva às nuances
Porque tudo que se vai
Fica um pouco em nós impregnado
Fica a parte que agarramos com os dentes
Fica o cheiro
Fica o que não se vai porque não deixamos
Fica a nossa sobrevivência
Num aceno de olhar.
Amantes, amados, amadas,
Há mais...!
( Deborah )
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O TEMPO

dmalheiros 07/06/2009 @ 19:01

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Pessoal, mais um conto!
Acabei de escrevê-lo e quis compartilha-lo com vocês!!!
Este leva à reflexão, leva a pensar na vida, nas metáforas da vida. Onde anda a humanidade? Onde está o humano? Será que sentido, gestos e sentimentos não passam de coisas inúteis que guardamos como quinquilharias no fundo de uma gaveta? Que a vida anda corrida, que os afazeres se multiplicam isso é constatação. Mas não consigo entender situações onde até um pedaço de pizza é capaz de mais sentimento e generosidade que muita gente. Mas continuo acreditando na humanidade, se é ilusão, não sei. Mas acredito. Assim como acredito em fantasmas!... :-)

“ O TEMPO ”

Na parede daquela casa agitada, o velho relógio afastou um pouco mais seus enormes ponteiros e arriscou uma olhada para a família reunida na sala. Falavam alto, num palavreado esquisito, onde ele não entendia muito bem, enquanto uma música infernal enchia o ambiente. Suspirou cansado, sentia-se inútil, ninguém precisava dele ali. Traziam nos pulsos uns minúsculos reloginhos, esquisitos e sem graça; feios e fracos. Ele era forte, bonito, fora construído na Suíça, peças de aço puro, tinha inúmeros rubis e feito de envelhecido carvalho. Chegara há muitos e muitos anos, vistoso, imponente, ocupava o canto principal da sala de visitas. Todos o olhavam constantemente, tinha números límpidos, ponteiros brilhantes, pendulo de bronze. Quando balançava para dar as horas, as crianças de casa ( hoje todos muito velhos ) corriam, e de nariz pra cima e olhos arregalados iam pra lá e pra cá, acompanhando-o entusiasmadas.
Ia recolher-se, cansado com aquele modo de viver alucinado da família, quando viu a jovenzinha de cabelos encaracolados e olhos brilhantes ( safra da nova geração) levantar-se. A esperança encheu-o por dentro: - Será que aqueles lindos olhos iriam mira-lo para ver as horas? Decepção!. Olhou apressada o grotesco relógio de plástico no pulso delicado e saiu sem notá-lo. Recolheu-se desiludido para dentro de seu maquinismo. Os bons tempos já se foram, tempos de música suave, de vida calma, tranqüila, sem pressa . Ninguém mais ligava para ele, a não ser a empregada para limpa-lo. Triste, pensou em parar, não queria mais dar as horas. Suspirou sufocado. Sufocado! Ele fazia tudo para não chamar a atenção; por anos e anos, marcava as horas exatas, soava sempre no mesmo tom, não atrasava, não adiantava. “ Talvez se...”- riu baixinho com a extravagante idéia que ocorrera em suas cordas. Talvez se descontrolasse, como um velho caduco, caduco como o velho Belmiro, o avô há vinte e tantos anos falecido...- riu, divertindo-se, arriscando mais vez uma olhada para a família que ainda discutiam ao redor da mesa. Jogou o pêndulo com força. Este, assustado, foi para lá e para cá, descontrolado, encheu a sala com um barulho estridente.
Fez-se silêncio repentino. A família assustada o olhou: - O que teria acontecido ao velho e superado relógio? Nada, certamente, com ele nunca acontecia nada. Voltaram a conversar, indiferente à angústia do velho relógio. Velho, objeto, coisa, mas sentimental.
Raivoso com aquela indiferença, deixou cair os ponteiros com força e tornou a jogar o pêndulo, que ressoou estridente.
A família, agora alarmada, levantou e o rodearam com mil conjecturas. Por fim depois de tanto falatório, dizendo horrores a seu respeito e deixando-o tonto, tiraram –lhe o pêndulo e decretaram: - Será vendido!.
No outro dia foi jogado num depósito junto com móveis velhos e depois de algumas semanas, levado a algum antiquário. Amargurado, e sem se importar com os colegas ali enfileirados, enroscou-se, emperrou todas as suas peças. Não mais funcionaria, negava-se a viver depois de tanta ingratidão. Deixou cair uma lágrima que correu entre os números amarelando um pouco mais o mostrador. Ninguém notou, a não ser os colegas que como ele, também tiveram o mesmo fim.

FIM
( DEBORAH )
Metáforas da vida. ( de todos );-)

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