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A BUSCA DA PALAVRA

dmalheiros — 17-02-2009 GTM -3 @ 00:21

2008062402101210.jpg

Às vezes escrever é tão urgente quanto respirar, mas às vezes a vontade vem, e as idéias não. Escrevo então poemas assim, que lê-se nas entrelinhas das palavras e sentimentos e que traduz-se em silêncio. Esse, assim... Que não convém dizer mais nada. Bjs

"A Busca"

Escrever sobre o Nada,
Captar o argumento...
Busco então a palavra,
que me abra.
Abro-ca-da-pa-lavra,
buscando sua alma
Assim, se não construo o
melhor poema, garimpo o
melhor sentimento, o que
se esconde sob a poeira
das palavras poupadas
para a recessão economica dos afetos.
Procuro a palavra que
me lavra, dita, nas entrelinhas
de um olhar, ou no repente de um trovão.
Recolho-a.Guardo e fertilizo.
Não digo mais, nem sinto mais,
Agora só respiro,
Me preencho do vazio vital,- o ar.
Esse que vem junto com a mais
pura 'inspiração'
_______________________

( Deborah ) ;-)

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NOVOS E VELHOS PRETEXTOS

dmalheiros — 27-01-2009 GTM -3 @ 12:51

michelangelo2.jpg

Saindo um pouco da poesia, um texto que fiz de puro pretexto... Beijos

"Novos e velhos pretextos"

Imagino que não havia automóveis em Jerusalém, no tempo em que Jesus falava a seus discípulos. Nada de leis de trânsito, multas, pontos, bafômetro e CETs por toda parte.
No entanto, bebia-se um bom vinho. Mas ou o vinho era pouco ou os convidados muitos. O fato é que esvaziavam-se as ânforas.
A Maria, mãe de um Jesus anônimo, ao ver o mal provocado pela falta da bebida, disse ao filho – ‘Eles não tem mais vinhos’. Ele então mandou encher as talhas com água e a água virou vinho, para o espanto de todos.
Não tenho notícias de que a festa tenha acabado em bebedeira, pancadaria, polícia, apesar da fartura em vinho, garantida pelo primeiro prodígio explícito do homem de Nazaré.
Os tempos voam. E ainda existem festas e bodas, e as haverá até a chegada do Apocalipse. Mas quando vinhos se esgotam, não há jeito. Enchem-se garrafas com água e milagre algum acontece.
Os tempos são outros.
Mas imaginemos um Jesus insensato, resolvido a regressar e vistoriar o seu rebanho, com olhos humanos e humana condição.
Pensando aqui com meus botões, concluo que o Cristo não teria vez, nem voz, se retornasse ao mundo com a mesma obediência ao seu destino e aventura. Como naquele tempo, as testemunhas de seus prodígios tratariam de condená-lo a morte, pelo crime intolerável de ser inocente nos dias de hoje.
Mas imaginemos que ele viesse, e fosse a alguma festa e transformasse água em vinho, todos bebessem moderadamente, dançassem, cantassem e partissem para suas casas em seus automóveis.
No meio do caminho havia uma pedra..., ladrões de tocaia, medos noturnos, blitz e bafômetro.
Maria pediria para seu filho ir ‘as delegacias para realizar o milagre de convencer os doutores do templo de que é possível beber o vinho e comer o pão com moderação, sem a terrível embriaguez que mata e fere culpados e inocentes.
Quando penso e escrevo – Beber o vinho e comer o pão, vem-me a imagem da Última Ceia, e do simbolismo do cálice da nova aliança. Imagino se essas coisas acontecessem nos dias de hoje... Que conseqüências Jesus e seus apóstolos teriam de suportar, quando se retirassem após o fim do jantar?
Talvez os abstêmios absolutos condenassem os que bebem moderadamente, os hipócritas acusassem as videiras e as uvas. Os dotados de muita prudência recriminassem os que dirigem automóveis mesmo que sóbrios. Talvez os insanos punissem o próprio automóvel por seus motores alcoólicos, de ingestão etílica. Dou risada com meus botões...
Mas os iconoclastas, certamente, recrucificariam Jesus, por seu mau exemplo na cidade e na Última Ceia.
A maioria do rebanho acostumada a soluções autoritárias e radicais, provavelmente aprovasse a injustiça geral para justificar uma hipotética e patética justiça parcial.
Valeu a pena não existir automóveis na Galiléia? Mesmo sem esse pretexto, a cruz já estava armada e a espera. Pretextos nunca faltam para quem pensa que pode tudo.E o pior é que pode. Independente da época e ocasião,e enquanto o rebanho for o mesmo...Eles podem!( E em tempos de mudança ortográfica, eles PODEM, mas acho que com ph.- não consegui segurar o riso, desculpem.) Como disse, tudo vira pretexto. Infelizmente.
FIM

(Deborah)

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ANO-NOVO!

dmalheiros — 31-12-2008 GTM -3 @ 13:12

Romero Brito

Felicidades a todos os amigos!!!!

Acho que a vida é tao cheia de compromissos, que nas horas vagas penso que o melhor é se deixar levar. Este ano, vou seguir essa poesia que fiz, pensando em não seguir nada!... rs
Bjs

Neste 2009 não inventarei rota.
Estou de corpo, talvez haja voz.
Vestirei a responsabilidade e estarei atento,
Olhos abertos, buscando captar o indizível,
Respirando no intratável, cultivando o silêncio e
Esculpindo a preciosa pérola que trago no coração,
que não a deixarei por aí,
Mas dentro de um olhar, da cor de amêndoa.
Buscarei a vida na dura paisagem do mundo,
que só é dura quando não há molas,
Mas ela é interna, flexível, e nos lembra a todo instante,
que nada mais concreto que se deixar tocar pelo abstrato
que se aprende e amadurece ‘sempre’ às custas das têmporas e dos temporais. ;-)
Beijos

( Deborah )

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DESERTO

dmalheiros — 05-12-2008 GTM -3 @ 19:41

mao.jpg

Gente, desculpe a pouca vinda ao blog, é falta de tempo mesmo. Mas deixo aqui, uma poesia que fiz, que considero uma poesia-pensamento. Reflitam...Bjs

Se observarmos bem,
O mundo é um deserto,
A cidade é um deserto...
Sem oásis, e a aridez transformada em ruas.
Quadras enclausuradas, sem becos e esquinas
Onde habitam seres, sem o espírito-ser.
Sem conversas à toa e
sem afeto gratuito distribuído sem remorsos.
Um deserto transformado em edifícios e monumentos construído pela dureza do concreto dessas almas.
Esse mundo é um deserto,
Sem oásis, e nem miragens,
Onde apenas um céu de invariável azul turquesa ou chumbo,
Insiste em nos lembrar que, afinal, ainda estamos sob o mesmo teto.

Bjs
( Deborah )

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ORQUESTRA COMPLETA.

dmalheiros — 19-10-2008 GTM -3 @ 12:44

Picasso

"Meu concerto que desconserta"

Sinto seu corpo como uma orquestra
A ensaiar uma sinfonia completa e arrebatadora.
Você sussurra em meu ouvido aquela música silenciosa.
Sinto seus braços e pernas, como cordas bem afinadas
Que desejam dedos hábeis
Que lhe tirem melodias.
Sua respiração é como um instrumento de sofro
Querendo mais fôlego, para sons mais altos,
Inaudíveis. - Sentidos.
E a percussão dentro do peito
Marca o ritmo da música que existe na mente,
Sons, compassos, andamentos,
Pausas, variações, êxtases...
Acaricio sua face, beijo seu queixo, rimos.
E na rima da pele
Que lhe envolve o corpo
O detalhe da partitura
Que leio no toque,br /br>
nas pontas do arrepio.
Decifro-te...
Devora-me.
Agora descobri a verdadeira poesia.
Bjs ( Deborah )

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Um pouco de poesia.

dmalheiros — 28-09-2008 GTM -3 @ 17:34

Pessoal, acredito que a vida com poesia fique um pouco mais leve. Vou colocar quatro para vcs se deliciarem, ou não. O que vale é senti-las...

Essa primeira, fiz inspirada num texto sobre o Medo de uma amiga muito querida, escritora-filósofa e professora, Marcia Tiburi.

A medusa chama o monstro pelo nome
E não teme o espelho duro da noite
Que invade sua carne, sem quebrar seu espírito.
O medo é perdido, mas guia corações,
Gigante entre anões,
Pílula da dúvida,
Inseminação.

Medo é passageiro,
Talvez música de momento.
Espetáculo sem discurso.
O medo é mudo.
Sentido.

Vem, vai, foi…
Ronda na vida.
O medo é sentido.
Escrito em braile na pele dos nossos dias.
Ele nos molda, mora entre as vértebras
Mas não se vive sem sentido,
Ou sem-ter-tido.
O medo é sentido.
Mudo, mas se faz ecoar...

_________________________

Esse é para os 'machões' que andam por aí...

Este é o verdadeiro valentão,
O cara que de cara encara,
Não se comove, e nem se move.
Tem no sorriso um cheiro de vermicida,

Por isso fede tanto, esse homem durão.
É a alma que apodrece em vida.
Não consegue disfarçar o mau-hálito
Nem com pastilhas cáusticas.
Para trás, com essa emotividade...
É coisa de gente chata, coisa de gente fraquinha

Mas vejo o homem por trás dessa carcaça,
É um nada, na imensidão da manhã sem dono.
Valente como um covarde na trincheira da escrivaninha.

_________________________

Esse é para o amor, quem ama ou já amou sabe o que é...

Nada como a serenidade do mar para morrer de amor.
Uma loucura mansa nos abraça durante o naufrágio,
Depois só o silencio das ondas nas conchas dos ouvidos

Assim eu pagaria minhas sete vidas
Em eternas prestações de noites,
Bebendo de um vinho imaginário
Nos lábios de sua boca
Somos páginas arrancadas de uma multidão de sinônimos
Pelas mãos de um deus enternecido.

Encontrei um coração sem pernas
Ancorado nas marcas da superfície.
Vem, deita e escuta
Respiração, sensação e vida...

_________________________

Para alguns...

Quando sai a trabalho
Põe uma camisa bonita, gravata francesa,
sapatos italianos,calça de linho
e um ponto de exclamação na testa.
Por baixo, meias e cuecas furadas
e o coração em festa
Rouba da rua um sorriso idiota,
para impressionar os homens de negócios.
Escondendo na cueca furada a gargalhada dos ossos.

__________________________

(Deborah)
Bjs

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Parte 2 e Final.

dmalheiros — 08-09-2008 GTM -3 @ 13:24

Eis a carta...

Meu velho,
Queria encontra-lo no local de sempre, naquela praça que conheces bem, na próxima quarta-feira, as 20h. Preciso que você resolva algumas pequenas coisas para mim, e também quero dar-lhe de presente meu jogo de ferramentas. Sei que você as apreciará - não poderia fazer outras iguais.
Tenho uma boa loja, uma vida honesta, e vou me casar daqui a duas semanas com a melhor garota do mundo. Ela acredita em mim e não a decepcionaria por nada no mundo. Não tocaria no dinheiro de outra pessoa agora, nem por um milhão de dólares. Esta é a única vida, meu amigo, - a vida honesta.
Vou ficar aguardando, as 20h, na pracinha, para conversamos melhor. Levarei as ferramentas.
Seu velho amigo,
Jaime.

Na segunda-feira, depois que Jaime escrevera, Benjamim entrou sem chamar a atenção em São Peter num carro alugado. Girou pela cidade e na sua maneira discreta, descobriu o que queria saber. Da drogaria, em frente à ‘Sapataria Gouveia’, Benjamim pode ver bem o rosto de Rafael.
- Vai se casar com a filha do banqueiro, não é mesmo, Jaime? – Disse Benjamim, a si mesmo. - Não sei não.
Quarta-feira pela manhã, depois do café, Rafael Gouveia e Isabel Smith foram para o centro da cidade junto a um grande grupo familiar – O Sr Miguel, - pai de Isabel, Iara - irmã viúva de Isabel, com as duas filhas pequenas, uma de 7 e outra de 9 anos. Foram até o hotel, onde Jaime ainda vivia e ele subiu a seu quarto para pegar a mala. Depois foram para o banco, onde o Sr Miguel e suas filhas ficariam enquanto Jaime pegara o carro preto do banco que já estava à porta para levá-lo a estação de trêm.
Entraram todos na sala do banco, de teto alto sustentado por vigas de carvalho - Jaime inclusive, o futuro genro do Sr Miguel era bem-vindo em toda parte, inclusive pelos funcionários. Jaime colocou sua mala no chão e Isabel transbordando de felicidade e alegria, brincando colocou na cabeça o chapéu do noivo e pegou sua mala.
- Meu Deus, Rafael, como isto pesa! Parece cheias de barras de ouro.
- Uma quantidade enorme de barras para fazer solas que veio por engano – Disse Jaime com presença de espírito.
O banco de S.Peter havia colocado um cofre novo e o Sr Miguel que estava muito orgulhoso, quis mostrá-lo a todos. Era moderníssimo, última palavra em segurança, com uma porta que se fechava com três trancas, acionadas simultaneamente por uma única maçaneta e funcionava com um mecanismo de tempo que após 12 minutos todo oxigênio era retirado por uma espécie de câmara de vácuo que impossibilitava a sobrevivência de qualquer espécie viva. O Sr Miguel explicou tudo ao Sr Rafael, que embora parecesse não entender muito bem da coisa, mostrava um gentil interesse. As duas meninas, Luiza e Sofia, estavam encantadas com o metal polido, o relógio e os mecanismos engraçados.
Enquanto estavam nisso, Benjamim, que entrara no banco um pouco depois deles, apoiara os cotovelos no balcão e assistia a cena por entre as barras. Dissera ao caixa que não queria nada, estava apenas esperando por um conhecido.
De repente as mulheres gritaram. Sem que os adultos percebessem, Sofia, a menina de 9 anos, de brincadeira trancara Luiza no cofre. Depois disso, fechara a maçaneta e girara o cilindro de combinações, como vira seu avo fazer.
O velho banqueiro correu para a maçaneta e tentou mexe-la.
- A porta não pode ser aberta – gritou – O relógio ainda não foi ajustado, nem a combinação foi registrada.
A mãe de Luiza começou a gritar e chorar, aquela cena aqueceu de alguma forma o coração do investigador Benjamim, que ao ouvir os gritos, se identificou e como um raio apareceu ao lado da família. Mas ele não podia fazer nada, não era nada - Sentiu-se oco, nulo, sem valor.
-Quietos,- disse o Sr Miguel, levantando a mão trêmula.- Luiza!- Gritou o mais alto que pode.- Ouça o vovo - durante o silêncio que se seguiu, ouviram a menina gritando no interior escuro do cofre,
-Minha querida!- Gritava a mãe. Ela vai morrer de medo. Abram esta porta! Arrombem! Será que vcs não podem fazer nada
- A pessoa capaz de abri-lo está há duas horas daqui, - disse o sr Miguel, meu Deus, Rafael, que é que vamos fazer? A menina não pode esperar muito tempo, não existe ar suficiente lá dentro. - Dizia esmurrando a porta.
A mãe desesperada voltou a gritar, alguém sem pensar sugeriu dinamite. Isabel olhou para Jaime com seu olhos grandes e cheios de angústia, mas onde ainda não havia desespero.
Você não pode fazer nada, Rafael? - Por favor, tente.
Ele a olhou com um sorriso suave, mas um sorriso orgulhoso que estava também em seus olhos.
Isabel, dê para mim a rosa que está usando.
Mal acreditando no que ouvira, Isabel soltou o alfinete que segurava o botão que levava no vestido.Jaime colocou a flor no bolso do colete, tirou o paletó e arregaçou as mangas. Naquele momento, morria Rafael Gouveia, e Jaime Valentin tomava seu lugar.

- Afastem-se da porta, ordenou curto. Colocou sua mala na mesa e a abriu. Daquele momento em diante parecia inconsciente da presença de qualquer outra pessoa. Alinhou com rapidez e ordem seus instrumentos, estranhos e brilhantes, enquanto assobiava para si mesmo como fazia sempre que trabalhava. Num profundo silêncio, os outros o observavam como enfeitiçados.
Em um minuto, sua broca comia o metal da porta. Em nove minutos – quebrando seu próprio recorde, - a porta estava aberta.
Luiza muito assustada e salva, com seus lindos olhos azuis em expressão de alívio, fora recolhida pelos braços da mãe.
Benjamin queria de alguma maneira ter sido o herói dessa história, mas reavaliou todos os seus conceitos neste instante, do que valia prender alguém que acabara de salvar a vida de uma criança, que fazia feliz uma boa moça e sua família e ainda mostrava sinais de uma vida honesta. – Benjamin sentiu-se oco novamente, nunca fez isso ou despertou tais sentimentos em ninguém. Se dependesse dele, ou do que manda a justiça, Jaime estaria preso e a menina morta. Mas agora, estão todos bem. - Benjamin entrou em profundo estado de reflexão.
- Jaime vestiu seu paletó, e caminhou para a porta, olhou para Isabel com os olhos marejados, mas não hesitou. Caminhou em direção a Benjamin.
Olá, Ben!- Finalmente me encontrou, - disse levantando os pulsos para que Benjamin colocasse as algemas.
Mas aí, Benjamin teve uma atitude muito inesperada.
- Desculpe, mas acho que está enganado, senhor Gouveia - disse ele. – Não creio que já nos conheçamos. E aquela, - disse apontando para Isabel e todos os outros. – É a sua mulher e sua nova família e acho que estão lhe esperando.
Jaime olhou para todos e Isabel abriu os braços esperando que ele retornasse para ela. Jaime sorriu, aquele mesmo sorriso orgulhoso, respirou fundo, e foi em direção a ela.
Benjamin deu as costas e entrou no carro. – Seguiu a procura de novos casos. Mas desta vez transformado. Teria sido alvo de um súbito ataque de paixão? Como fora uma vez Jaime Valentin?
Bem, mas isso já é uma nova história.... .-)

FIM
( Deborah )

Um conto para distrair...Parte 1

dmalheiros — 08-09-2008 GTM -3 @ 10:48

picasso021.jpg

Pessoal, espero que gostem! É um conto curto, apenas duas páginas, colocarei em duas ou três partes. Fiz mais cinco, mas colocarei depois, intercalando com outros assuntos para não cansar... Bjs

“As aparências enganam”

Um guarda aproximou-se da sapataria da prisão, onde Jaime Valentin, como sempre assíduo ao trabalho, costurava sapatos, e o escoltou até a administração. Ali, o diretor entregou-lhe o indulto que o secretário assinara naquela manhã. Ele cumprira quase 10 meses de uma sentença de 4 anos. Quando um homem como Jaime Valentin vai preso, quase não vale a pena corta-lhe os cabelos. Tamanha a rapidez de sua soltura.
-Bem, Valentin - Disse o diretor-, você vai sair amanhã. Tome jeito e faça alguma coisa de sua vida, no fundo você não é má pessoa. Pare de arrombar cofres e viva dentro da lei.
-Eu?- Disse Valentin surpreso. - Mas nunca arrombei um cofre em toda minha vida
-Ah, não!- o diretor riu. - Claro que não. Mas deixe-me ver, como mesmo você foi condenado? No caso de Alabambina? Foi porque não conseguiu provar um álibi para não comprometer sua amiga da sociedade? Ou a culpa é do juiz que não foi com a sua cara? É sempre uma coisa ou outra que acontece com vocês inocentes’.
- Eu, diretor? Como? Se nunca estive em Alabambina?
- Escolte-o de volta, ordenou... E arranje roupas de rua para ele, pode abrir a cela as 7hs e leve-o até o registro. Pense no meu conselho, Valentin.
As 7h15 Valentim se apresentou de banho tomado e barba feita, vestia um terno malfeito e um sapato que rangia, fornecidos pelo Estado a seus hóspedes compulsórios na hora da dispensa. Recebeu do funcionário do registro, um bilhete de metro, uma nota de dez reais e algumas moedas, com o que a sociedade esperava que ele se reabilitasse, tornado-se um cidadão próspero e honesto. O diretor deu-lhe um cigarro e apertou-lhe a mão. Valentin saiu.
Sem dar atenção aos pássaro, às cores, foi direto ao metro, andou calmamente, jogou uma moeda no chapéu de um cego que estava na porta da estação e entrou no trem. Três horas de viagem o levaram a uma cidadezinha perto do limite do estado. Foi ao café de um certo Mário, um velho amigo que alugava quartos nos fundos do estabelecimento.
Mário o cumprimentou com o largo sorriso, Jaime retribuiu e logo perguntou – Está com a minha chave?
Pegou a chave e subiu as escadas, onde abriu a porta do último quarto. Tudo permanecia como deixara. No chão ainda estava um botão de camisa de Benjamim Peixoto,que fora arrancado do colarinho do ilustre investigador, quando subjugaram Jaime para prendê-lo. Puxando uma cama de armar, Jaime fez escorregar um painel da parede e tirou dali uma mala coberta de poeira. Abriu-a e contemplou com amor o mais perfeito jogo de ferramentas de arrombador de todo o Estado. Um jogo completo, feito de um aço especialmente temperado, o que havia de mais moderno em brocas, gruas, braçadeiras, pés-de-cabra e mais duas ou três novidades inventadas pelo próprio Jaime. Gastara mais de mil dólares para mandar faze-las em... Bem, onde fazem coisas para a profissão.
Meia hora mais tarde, Jaime desceu e passou pelo café. Vestia agora roupas bem cortadas e levava na mão uma mala limpa e sem poeira.
- Alguma coisa em mira? – Perguntou Mário, bem humorado.
-Eu? - Perguntou Jaime com espanto. Não estou entendendo. Sou representante comercial das ‘Indústrias Reunidas de Fechaduras e Dobradiças S.A’.
A declaração deliciou de tal maneira a Mário, que Jaime fora obrigado a tomar um achocolatado com ele. - Nunca bebia destilados.
Uma semana depois que Valentin fora posto em liberdade, arrombaram um cofre com elegância e maestria, em Indiapolis, sem nenhuma pista que indicasse o autor do trabalho..
Cinco dias depois, outro banco. Este com um patenteado e avançado sistema antifurto e fora aberto como se fosse um queijo, simples assim. Aquilo começou a despertar a atenção do pessoal especializado, em especial do investigador Benjamin. Comparando dados, encontrou-se uma extraordinária semelhança nos métodos, acabou concluindo ter a assinatura de Jaime Valentin. Benjamim conhecia os hábitos de Jaime. Estudara-os há anos. - distancia entre os trabalhos, rapidez na fuga, nenhum cúmplice, trabalho limpo e um fraco pela boa sociedade. O investigador repetia sem parar - Isso tem a assinatura de Jaime Valentin, desta vez, nada, nem indulto funcionará.
Numa tarde, Jaime Valentin e sua mala fizeram à baldeação na Praça da Flor, perto do grande centro de uma cidade cerca de 100 km do litoral. Desceu, olhou para os lados, respirou fundo – Jaime tinha essa mania, sentia o mundo pelo nariz. – sem vícios , claro.- e seguiu a procura de um hotel.
Neste instante, uma jovem atravessou a rua e passou por ele, entrando por uma porta sobre a qual estava escrito ’Banco de São Peter’, Jaime cruzou olhares com a moça, esqueceu quem era e transformou-se em outro homem. Ela abaixou os olhos e corou de leve.Jovens com a aparência e estilo de Jaime eram difíceis por lá.
Jaime encontrou um menino nos degraus do banco, e se passando por um correntista, começou a indagar sobre a cidade, alimentando as perguntas com algumas moedas. Daí a pouco a garota saiu do banco, ignorando o rapaz com a mala, e seguiu seu caminho.
-Aquela moça não é a srta Ana Mendonça? – perguntou Jaime manipulando a resposta.
-Não! – disse o menino.- É Isabel Smith, o pai dela é dono do banco. Que é que você veio fazer na cidade? A corrente do seu relógio é de ouro? Quer comprar um Buldogue? Vai me dar mais moedas? O menino disparou a perguntar...
Jaime jogou mais uma moeda e saiu.
Foi para um hotel próximo e alugou um quarto com o nome de Rafael Gouveia e encostado no balcão foi passando alguns dados biográficos. Disse que estava em São Peter procurando um local para estabelecer um negócio.
- Quantas sapatarias existem na cidade? Será que há espaço para abrir uma sapataria? - Perguntava ao balconista
- Sim! Há muito espaço. Na verdade não existe sapataria na cidade.- Respondeu o rapaz.
Rafael Gouveia, - fênix surgido das cinzas de Jaime Valentim, cinzas resultantes de um súbito ataque de paixão. Rafael Gouveia se fixou em S. Peter, conseguiu um boa clientela e prosperou.
Socialmente era tb um sucesso. Fez vários amigos e realizou o que seu coração desejava, conheceu Isabel Smith.
Depois de um ano a situação do Sr Rafael Gouveia era excelente, melhor loja da cidade, muitos lucros, bons amigos e noivo de Isabel Smith, com casamento marcado para duas semanas. O pai de Isabel, banqueiro, trabalhador e desconfiado, apoiava o casamento. Rafael era apaixonado de fato por Isabel e ela por ele.
Um dia, Rafael, feliz com a nova vida, honesto e apaixonado - e não precisando recorrer os velhos truques - sentou-se para escrever uma carta ao velho amigo Mário...

........ segunda parte.........

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OLÁ, SEJAM BEM-VINDOS!!!

dmalheiros — 08-09-2008 GTM -3 @ 10:33

Esse blog foi criado sem pretensão alguma, é apenas um cantinho para compartilhar minhas poesias, contos e impressões. Quem quiser participar, apenas lendo ou postando algum comentário, será muito bem-vindo...

Romero Brito

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