Parte 2 e Final.
dmalheiros @ 13:24Eis a carta...
Meu velho,
Queria encontra-lo no local de sempre, naquela praça que conheces bem, na próxima quarta-feira, as 20h. Preciso que você resolva algumas pequenas coisas para mim, e também quero dar-lhe de presente meu jogo de ferramentas. Sei que você as apreciará - não poderia fazer outras iguais.
Tenho uma boa loja, uma vida honesta, e vou me casar daqui a duas semanas com a melhor garota do mundo. Ela acredita em mim e não a decepcionaria por nada no mundo. Não tocaria no dinheiro de outra pessoa agora, nem por um milhão de dólares. Esta é a única vida, meu amigo, - a vida honesta.
Vou ficar aguardando, as 20h, na pracinha, para conversamos melhor. Levarei as ferramentas.
Seu velho amigo,
Jaime.
Na segunda-feira, depois que Jaime escrevera, Benjamim entrou sem chamar a atenção em São Peter num carro alugado. Girou pela cidade e na sua maneira discreta, descobriu o que queria saber. Da drogaria, em frente à ‘Sapataria Gouveia’, Benjamim pode ver bem o rosto de Rafael.
- Vai se casar com a filha do banqueiro, não é mesmo, Jaime? – Disse Benjamim, a si mesmo. - Não sei não.
Quarta-feira pela manhã, depois do café, Rafael Gouveia e Isabel Smith foram para o centro da cidade junto a um grande grupo familiar – O Sr Miguel, - pai de Isabel, Iara - irmã viúva de Isabel, com as duas filhas pequenas, uma de 7 e outra de 9 anos. Foram até o hotel, onde Jaime ainda vivia e ele subiu a seu quarto para pegar a mala. Depois foram para o banco, onde o Sr Miguel e suas filhas ficariam enquanto Jaime pegara o carro preto do banco que já estava à porta para levá-lo a estação de trêm.
Entraram todos na sala do banco, de teto alto sustentado por vigas de carvalho - Jaime inclusive, o futuro genro do Sr Miguel era bem-vindo em toda parte, inclusive pelos funcionários. Jaime colocou sua mala no chão e Isabel transbordando de felicidade e alegria, brincando colocou na cabeça o chapéu do noivo e pegou sua mala.
- Meu Deus, Rafael, como isto pesa! Parece cheias de barras de ouro.
- Uma quantidade enorme de barras para fazer solas que veio por engano – Disse Jaime com presença de espírito.
O banco de S.Peter havia colocado um cofre novo e o Sr Miguel que estava muito orgulhoso, quis mostrá-lo a todos. Era moderníssimo, última palavra em segurança, com uma porta que se fechava com três trancas, acionadas simultaneamente por uma única maçaneta e funcionava com um mecanismo de tempo que após 12 minutos todo oxigênio era retirado por uma espécie de câmara de vácuo que impossibilitava a sobrevivência de qualquer espécie viva. O Sr Miguel explicou tudo ao Sr Rafael, que embora parecesse não entender muito bem da coisa, mostrava um gentil interesse. As duas meninas, Luiza e Sofia, estavam encantadas com o metal polido, o relógio e os mecanismos engraçados.
Enquanto estavam nisso, Benjamim, que entrara no banco um pouco depois deles, apoiara os cotovelos no balcão e assistia a cena por entre as barras. Dissera ao caixa que não queria nada, estava apenas esperando por um conhecido.
De repente as mulheres gritaram. Sem que os adultos percebessem, Sofia, a menina de 9 anos, de brincadeira trancara Luiza no cofre. Depois disso, fechara a maçaneta e girara o cilindro de combinações, como vira seu avo fazer.
O velho banqueiro correu para a maçaneta e tentou mexe-la.
- A porta não pode ser aberta – gritou – O relógio ainda não foi ajustado, nem a combinação foi registrada.
A mãe de Luiza começou a gritar e chorar, aquela cena aqueceu de alguma forma o coração do investigador Benjamim, que ao ouvir os gritos, se identificou e como um raio apareceu ao lado da família. Mas ele não podia fazer nada, não era nada - Sentiu-se oco, nulo, sem valor.
-Quietos,- disse o Sr Miguel, levantando a mão trêmula.- Luiza!- Gritou o mais alto que pode.- Ouça o vovo - durante o silêncio que se seguiu, ouviram a menina gritando no interior escuro do cofre,
-Minha querida!- Gritava a mãe. Ela vai morrer de medo. Abram esta porta! Arrombem! Será que vcs não podem fazer nada
- A pessoa capaz de abri-lo está há duas horas daqui, - disse o sr Miguel, meu Deus, Rafael, que é que vamos fazer? A menina não pode esperar muito tempo, não existe ar suficiente lá dentro. - Dizia esmurrando a porta.
A mãe desesperada voltou a gritar, alguém sem pensar sugeriu dinamite. Isabel olhou para Jaime com seu olhos grandes e cheios de angústia, mas onde ainda não havia desespero.
Você não pode fazer nada, Rafael? - Por favor, tente.
Ele a olhou com um sorriso suave, mas um sorriso orgulhoso que estava também em seus olhos.
Isabel, dê para mim a rosa que está usando.
Mal acreditando no que ouvira, Isabel soltou o alfinete que segurava o botão que levava no vestido.Jaime colocou a flor no bolso do colete, tirou o paletó e arregaçou as mangas. Naquele momento, morria Rafael Gouveia, e Jaime Valentin tomava seu lugar.
- Afastem-se da porta, ordenou curto. Colocou sua mala na mesa e a abriu. Daquele momento em diante parecia inconsciente da presença de qualquer outra pessoa. Alinhou com rapidez e ordem seus instrumentos, estranhos e brilhantes, enquanto assobiava para si mesmo como fazia sempre que trabalhava. Num profundo silêncio, os outros o observavam como enfeitiçados.
Em um minuto, sua broca comia o metal da porta. Em nove minutos – quebrando seu próprio recorde, - a porta estava aberta.
Luiza muito assustada e salva, com seus lindos olhos azuis em expressão de alívio, fora recolhida pelos braços da mãe.
Benjamin queria de alguma maneira ter sido o herói dessa história, mas reavaliou todos os seus conceitos neste instante, do que valia prender alguém que acabara de salvar a vida de uma criança, que fazia feliz uma boa moça e sua família e ainda mostrava sinais de uma vida honesta. – Benjamin sentiu-se oco novamente, nunca fez isso ou despertou tais sentimentos em ninguém. Se dependesse dele, ou do que manda a justiça, Jaime estaria preso e a menina morta. Mas agora, estão todos bem. - Benjamin entrou em profundo estado de reflexão.
- Jaime vestiu seu paletó, e caminhou para a porta, olhou para Isabel com os olhos marejados, mas não hesitou. Caminhou em direção a Benjamin.
Olá, Ben!- Finalmente me encontrou, - disse levantando os pulsos para que Benjamin colocasse as algemas.
Mas aí, Benjamin teve uma atitude muito inesperada.
- Desculpe, mas acho que está enganado, senhor Gouveia - disse ele. – Não creio que já nos conheçamos. E aquela, - disse apontando para Isabel e todos os outros. – É a sua mulher e sua nova família e acho que estão lhe esperando.
Jaime olhou para todos e Isabel abriu os braços esperando que ele retornasse para ela. Jaime sorriu, aquele mesmo sorriso orgulhoso, respirou fundo, e foi em direção a ela.
Benjamin deu as costas e entrou no carro. – Seguiu a procura de novos casos. Mas desta vez transformado. Teria sido alvo de um súbito ataque de paixão? Como fora uma vez Jaime Valentin?
Bem, mas isso já é uma nova história.... .-)
FIM
( Deborah )

Do Melhor
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del.icio.us
Comentários(5) »
Dé!!!!!!!!!! Caramba, que legal...., Coloca logo o final!!!!!!! hehehhe....Beijos, Le
Deborah! Vc é danada, hein....Nem me disse nada! rs ...Ótimo, mas sei q de vc nao sai coisa ruim . E ve se num some! Bjokas
não esperava por essa...rsrs
já teria colocado ele assaltando o banco do sogro..kk
Só tu, Deborah!!!! Só tu!!!...Viciei! -)
E amanha, dia de extrações, hein! Saco, saco, saco...hehehheh
Bjksss
Muito bom Deborahhhh, Demais!!!... Poe mais! Larga essas dentaduras e atualiza logo....hehehe...brincadeirinha...
Bjs e vm combinar a patuscada semana q vem. Te ligo
Mane, Gui, De, Micheli, Glorita, Acerola, "Brimos", Tucano e tu!!!!
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