Um conto para distrair...Parte 1
dmalheiros @ 10:48
Pessoal, espero que gostem! É um conto curto, apenas duas páginas, colocarei em duas ou três partes. Fiz mais cinco, mas colocarei depois, intercalando com outros assuntos para não cansar... Bjs
“As aparências enganam”
Um guarda aproximou-se da sapataria da prisão, onde Jaime Valentin, como sempre assíduo ao trabalho, costurava sapatos, e o escoltou até a administração. Ali, o diretor entregou-lhe o indulto que o secretário assinara naquela manhã. Ele cumprira quase 10 meses de uma sentença de 4 anos. Quando um homem como Jaime Valentin vai preso, quase não vale a pena corta-lhe os cabelos. Tamanha a rapidez de sua soltura.
-Bem, Valentin - Disse o diretor-, você vai sair amanhã. Tome jeito e faça alguma coisa de sua vida, no fundo você não é má pessoa. Pare de arrombar cofres e viva dentro da lei.
-Eu?- Disse Valentin surpreso. - Mas nunca arrombei um cofre em toda minha vida
-Ah, não!- o diretor riu. - Claro que não. Mas deixe-me ver, como mesmo você foi condenado? No caso de Alabambina? Foi porque não conseguiu provar um álibi para não comprometer sua amiga da sociedade? Ou a culpa é do juiz que não foi com a sua cara? É sempre uma coisa ou outra que acontece com vocês inocentes’.
- Eu, diretor? Como? Se nunca estive em Alabambina?
- Escolte-o de volta, ordenou... E arranje roupas de rua para ele, pode abrir a cela as 7hs e leve-o até o registro. Pense no meu conselho, Valentin.
As 7h15 Valentim se apresentou de banho tomado e barba feita, vestia um terno malfeito e um sapato que rangia, fornecidos pelo Estado a seus hóspedes compulsórios na hora da dispensa. Recebeu do funcionário do registro, um bilhete de metro, uma nota de dez reais e algumas moedas, com o que a sociedade esperava que ele se reabilitasse, tornado-se um cidadão próspero e honesto. O diretor deu-lhe um cigarro e apertou-lhe a mão. Valentin saiu.
Sem dar atenção aos pássaro, às cores, foi direto ao metro, andou calmamente, jogou uma moeda no chapéu de um cego que estava na porta da estação e entrou no trem. Três horas de viagem o levaram a uma cidadezinha perto do limite do estado. Foi ao café de um certo Mário, um velho amigo que alugava quartos nos fundos do estabelecimento.
Mário o cumprimentou com o largo sorriso, Jaime retribuiu e logo perguntou – Está com a minha chave?
Pegou a chave e subiu as escadas, onde abriu a porta do último quarto. Tudo permanecia como deixara. No chão ainda estava um botão de camisa de Benjamim Peixoto,que fora arrancado do colarinho do ilustre investigador, quando subjugaram Jaime para prendê-lo. Puxando uma cama de armar, Jaime fez escorregar um painel da parede e tirou dali uma mala coberta de poeira. Abriu-a e contemplou com amor o mais perfeito jogo de ferramentas de arrombador de todo o Estado. Um jogo completo, feito de um aço especialmente temperado, o que havia de mais moderno em brocas, gruas, braçadeiras, pés-de-cabra e mais duas ou três novidades inventadas pelo próprio Jaime. Gastara mais de mil dólares para mandar faze-las em... Bem, onde fazem coisas para a profissão.
Meia hora mais tarde, Jaime desceu e passou pelo café. Vestia agora roupas bem cortadas e levava na mão uma mala limpa e sem poeira.
- Alguma coisa em mira? – Perguntou Mário, bem humorado.
-Eu? - Perguntou Jaime com espanto. Não estou entendendo. Sou representante comercial das ‘Indústrias Reunidas de Fechaduras e Dobradiças S.A’.
A declaração deliciou de tal maneira a Mário, que Jaime fora obrigado a tomar um achocolatado com ele. - Nunca bebia destilados.
Uma semana depois que Valentin fora posto em liberdade, arrombaram um cofre com elegância e maestria, em Indiapolis, sem nenhuma pista que indicasse o autor do trabalho..
Cinco dias depois, outro banco. Este com um patenteado e avançado sistema antifurto e fora aberto como se fosse um queijo, simples assim. Aquilo começou a despertar a atenção do pessoal especializado, em especial do investigador Benjamin. Comparando dados, encontrou-se uma extraordinária semelhança nos métodos, acabou concluindo ter a assinatura de Jaime Valentin. Benjamim conhecia os hábitos de Jaime. Estudara-os há anos. - distancia entre os trabalhos, rapidez na fuga, nenhum cúmplice, trabalho limpo e um fraco pela boa sociedade. O investigador repetia sem parar - Isso tem a assinatura de Jaime Valentin, desta vez, nada, nem indulto funcionará.
Numa tarde, Jaime Valentin e sua mala fizeram à baldeação na Praça da Flor, perto do grande centro de uma cidade cerca de 100 km do litoral. Desceu, olhou para os lados, respirou fundo – Jaime tinha essa mania, sentia o mundo pelo nariz. – sem vícios , claro.- e seguiu a procura de um hotel.
Neste instante, uma jovem atravessou a rua e passou por ele, entrando por uma porta sobre a qual estava escrito ’Banco de São Peter’, Jaime cruzou olhares com a moça, esqueceu quem era e transformou-se em outro homem. Ela abaixou os olhos e corou de leve.Jovens com a aparência e estilo de Jaime eram difíceis por lá.
Jaime encontrou um menino nos degraus do banco, e se passando por um correntista, começou a indagar sobre a cidade, alimentando as perguntas com algumas moedas. Daí a pouco a garota saiu do banco, ignorando o rapaz com a mala, e seguiu seu caminho.
-Aquela moça não é a srta Ana Mendonça? – perguntou Jaime manipulando a resposta.
-Não! – disse o menino.- É Isabel Smith, o pai dela é dono do banco. Que é que você veio fazer na cidade? A corrente do seu relógio é de ouro? Quer comprar um Buldogue? Vai me dar mais moedas? O menino disparou a perguntar...
Jaime jogou mais uma moeda e saiu.
Foi para um hotel próximo e alugou um quarto com o nome de Rafael Gouveia e encostado no balcão foi passando alguns dados biográficos. Disse que estava em São Peter procurando um local para estabelecer um negócio.
- Quantas sapatarias existem na cidade? Será que há espaço para abrir uma sapataria? - Perguntava ao balconista
- Sim! Há muito espaço. Na verdade não existe sapataria na cidade.- Respondeu o rapaz.
Rafael Gouveia, - fênix surgido das cinzas de Jaime Valentim, cinzas resultantes de um súbito ataque de paixão. Rafael Gouveia se fixou em S. Peter, conseguiu um boa clientela e prosperou.
Socialmente era tb um sucesso. Fez vários amigos e realizou o que seu coração desejava, conheceu Isabel Smith.
Depois de um ano a situação do Sr Rafael Gouveia era excelente, melhor loja da cidade, muitos lucros, bons amigos e noivo de Isabel Smith, com casamento marcado para duas semanas. O pai de Isabel, banqueiro, trabalhador e desconfiado, apoiava o casamento. Rafael era apaixonado de fato por Isabel e ela por ele.
Um dia, Rafael, feliz com a nova vida, honesto e apaixonado - e não precisando recorrer os velhos truques - sentou-se para escrever uma carta ao velho amigo Mário...
........ segunda parte.........
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Do Melhor
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Comentários(2) »
QUERO MAIS CONTOS TÁ BOM?BJKS!!
CLASSE A!!!! TO CURIOOOSO VOU A SEGUNDA PARTE!!!!!
BJAO
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